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terça-feira, 6 de dezembro de 2022
RIOVERDEMS | Por PORTAL RIOVERDE NOTICIAS

No RS, homens são torturados e violentados com madeira por furto de duas picanhas; entidades vão pedir R$ 40 milhões da empresa

 


Atenção – O texto contém descrição gráfica de atos violentos, caso você não se sinta à vontade, não prossiga com a leitura.

Uma sessão de tortura que durou cerca de 45 minutos aconteceu nas dependências do supermercado UniSuper, em Canoas, Rio Grande do Sul, em 12 de outubro no município e veio à tona no último domingo, vem provocando uma onda de indignação. Dois homens, de 32 e 47 anos, foram espancados no depósito do estabelecimento e chegaram a ser violentados com um pedaço de madeira e um pallet por trabalhadores terceirizados que realizavam a segurança da loja, além de receberem socos e chutes.

A acusação? Uma suposta tentativa de furtar pacotes de picanha, avaliados em R$ 100.

Os responsáveis pelas agressões prestam serviço para a empresa Glock Segurança, que segundo o supermercado, ‘foi desligada’. A polícia militar gaúcha investiga se alguns dos agressores integram as fileiras da corporação.

O tenente coronel Jorge Dirceu Fiilho, comandante 15º Batalhão de Canoas da Brigada Militar, diz que dois pontos serão analisados caso os suspeitos sejam policiais: o fato da lei vedar a atuação de agentes públicos como seguranças privados, na esfera militar, e as agressões, essas apuradas no âmbito civil.

A polícia só ficou sabendo porque um dos homens que sofreu as agressões deu entrada no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre com ferimentos graves. Ele tinha diversas fraturas no rosto e na cabeça e precisou ser colocado em coma induzido.

A polícia identificou, por enquanto, dois dos cinco seguranças envolvidos nas agressões, mas não divulgou os nomes deles. 

O advogado da Educrafo e doutor em Sociologia Jurídica pela Universidade de Zaragoza, na Espanha, Márlon Reis, explicou que a ação visa indenizar as vítimas por danos morais coletivos. Além disso, segundo ele, o processo deseja uma “imposição ao supermercado de obrigações relacionadas a mudanças na vigilância patrimonial”. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) de Canoas. A ação cobra uma indenização de R$ 40 milhões.

“Os cinco seguranças e o gerente devem ser indiciados por tortura e ocultação das provas. O subgerente por tortura e omissão. A polícia investiga indícios de outro crime, extorsão mediante sequestro, porque eles só foram liberadas depois do pagamento de R$ 644 exigido pelos agressores”, diz o delegado Robertho Peternelli que investiga o caso.

A empresa Glock, que presta serviço ao supermercado, disse em nota que só vai se manifestar em juízo. Os advogados do gerente Adriano Dias e do subgerente Jairo da Veiga, também disseram que só vão se manifestar em juízo.

De acordo com a polícia, 31 câmeras de segurança gravaram o que aconteceu dentro do supermercado e também no depósito onde as vítimas foram agredidas. Os policiais foram até o estabelecimento coletar as imagens, mas perceberam que os arquivos haviam sido deletados logo que os agentes entraram no local. O delegado Peternelli apreendeu o equipamento de gravação, que foi encaminhado para a perícia. O perito criminal Marcio Faccin do Instituto Geral de Perícia (IGP) do RS conseguiu recuperar os arquivos.

O que aconteceu no depósito

O que as imagens recuperadas mostram são cenas de horror no depósito do supermercado. É possível ver ao menos dois homens armados. Um homem de casaco azul é conduzido por um segurança. Retira dois pacotes que estavam escondidos na roupa e os entrega ao gerente do mercado. Nesse momento, o segurança o agride com um soco e uma rasteira.

“O primeiro rapaz ele já tem dominado, o rapaz com as carnes. E em um primeiro momento, sem nenhuma reação, ele já dá um soco na região do rosto, o que o faz cair. Então, ele já acaba sentando naquele primeiro momento e, a partir daquele primeiro golpe, ele não esboça nenhuma reação”, explica o delegado. 

Um dos seguranças se aproxima do rosto da vítima, faz ameaças e desfere outros golpes. O gerente e o subgerente apenas assistem. Num momento, o gerente sai do alcance da câmera do circuito interno. Três minutos depois, ele aparece com um martelo na mão e, segundo a polícia, faz novas ameaças ao homem que está no chão. 

O primeiro segurança volta à cena e retoma o interrogatório clandestino. Mais doze minutos de tortura e surge um segundo segurança, de camisa amarela. Os dois agridem o homem, que é chutado por eles. O grupo se afasta e volta várias vezes, mas o homem é obrigado a ficar no depósito. 

As imagens recuperadas pela polícia mostram também o momento em que seguranças abordam o homem que pegou as duas embalagens de picanha e outros produtos e os escondeu na roupa.

Segundo as investigações, ele contou aos seguranças que um parceiro dele estava no estacionamento do supermercado. Uma das câmeras mostra um segurança de camisa amarela saindo do estacionamento e voltando com a segunda vítima. Foi este outro homem que acabou dando entrada no hospital dois dias depois.

“[O homem negro] foi o que mais apanhou, muito na região do rosto. Tem um momento que eles até jogam uma água no rosto dele, porque ele sangrava em abundância”, conta o delegado.

O segurança de amarelo o obriga a se sentar ao lado da primeira vítima, e a tortura recomeça. Quem comanda a violência, nesse momento, é um dos seguranças. Ele está de casaco e usa óculos. 

Em um certo momento da gravação, as luzes do depósito do supermercado são apagadas, mas a câmera registra que as agressões continuam, agora também com pedaços de madeira que são usados para violentar as vítimas.

As luzes são acesas novamente e os seguranças se revezam no ataque aos dois homens. As agressões são vistas por outros homens que estão no local. O gerente e o segurança que está de casaco chegam a rir da situação. 

Numa das cenas, o homem foi agredido com um pallet de madeira que é usado para acomodar as mercadorias. 

“É uma cena que chama muita atenção, e logo após a agressão, a gente vê um sorriso no rosto, parece que não tem noção do quanto aquela agressão poderia ser importante, até no sentido de provocar uma morte, como quase aconteceu”.

Foram 45 minutos de agressões violentas. De vez em quando, os suspeitos fotografavam as vítimas. Para a polícia, esse comportamento é uma espécie de tortura psicológica. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

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