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sábado, 1 de agosto de 2020
RIOVERDEMS | Por PORTAL RIOVERDE NOTICIAS

O país onde mulheres não podem dizer seus nomes e são enterradas como anônimas


Quando se casa, o nome da mulher não é nem escrito nos convites para a cerimônia.

Ao adoecer, muitas vezes ela é atendida por um médico que não sabe seu nome e tampouco o escreve na receita.

Quando morre, o comum é que o nome de uma mulher não apareça nem na certidão de óbito, nem na lápide.

As famílias do Afeganistão costumam forçar as mulheres a manter seus nomes em segredo, em todas etapas da vida.

Mas, com as redes sociais, elas estão se manifestando para interromper esse ciclo através da campanha "WhereIsMyName" (Onde está meu nome?). O inconformismo de Laleh Osmany, moradora da cidade de Herat, se transformou no lema "WhereIsMyName" —uma mobilização para a recuperação do que ela caracteriza como o "direito mais básico".

Falando à BBC, Osmany afirmou que ela e as amigas que se somaram só queriam provocar uma reflexão sobre por que suas identidades estavam sendo negadas.

"A campanha está um passo mais perto de seu objetivo de convencer o governo afegão a registrar os nomes da mãe e do pai nas certidões de nascimento", conta.

Ela aponta também que a cobertura sobre o tema feita pela BBC no Afeganistão levou Maryam Sama, membro da Câmara dos Deputados do Afeganistão, a falar sobre o assunto no Parlamento.

Sama solicitou que os nomes das mães fossem registrados nas certidões de nascimento e tuitou que há hoje apoio no Parlamento para que o assunto seja debatido mais a fundo.

Uma entrevista com Osmany, postada na página da BBC no Facebook, recebeu comentários favoráveis, mas outros altamente críticos.

Usar publicamente o nome de uma mulher é desencorajado e pode até ser considerado um insulto em muitas partes do Afeganistão.

Os homens, por sua vez, comumente relutam em mencionar abertamente os nomes de suas irmãs, esposas ou mães porque isso é considerado vergonhoso e desonroso.

Em geral, as mulheres são conhecidas apenas como mãe, filha ou irmã do homem mais velho da família.

Pela lei, apenas o nome do pai deve ser registrado em uma certidão de nascimento.

Mas, apesar da relutância de boa parte da sociedade, algumas personalidades, como o músico Farhad Darya e a cantora Aryana Sayeed, apoiaram a campanha "WhereIsMyName?" desde seu início.

sábado, 1 de agosto de 2020

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