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quarta-feira, 2 de outubro de 2019
RIOVERDEMS | Por PORTAL RIOVERDE NOTICIAS

Russo que decidiu conhecer o mundo de bicicleta, Após AVC, passou por Rio Verde-MS: 'a vida é muito curta'


Uma comunicação totalmente intermediada pelo Google tradutor desvendou o objetivo do russo Konstantin Kozhenyakin, de 46 anos: pedalar enquanto viver. 
Já são quatros anos pedalando e foi assim que o russo, nascido na Sibéria, passou e conheceu as maravilhas de Rio Verde de MT-MS, na semana passada, mas precisamente dia 24 de setembro.
Nascido na cidade industrial de Kemerovo, o cicloturista engrossa a lista de pessoas que após ver a morte de perto decidem viver com mais liberdade. No caso de Konstantin, um AVC (Acidente Vascular Cerebral) há seis anos foi o ponta pé, para colocar os pneus na estrada.Ele também passou pela Ásia Oriental, especificamente pela China, último país do Leste Asíatico, antes de partir para a América do Sul.
Konstantin em 2013, pouco antes do AVC. Konstantin em 2013, pouco antes do AVC.
Ele jura que antes mesmo do derrame já estava descontente com o governo russo e arrisca dizer que o problema se arrasta desde a década de 1990.
Konstantin concorda com a segunda discussão. “Eu tinha 18 anos, na década de 1990 e estava em São Petersburgo, quando ouve a queda do muro de Berlim e o fim da URSS. A crise e o fim do dinheiro Rússia permanecem até hoje”, afirma.
O AVC aconteceu há seis anos e Konstantin iniciou a aventura há quatro. Mesmo com algumas sequelas do lado direto do corpo, a pedalada durou três anos dentro da Ásia até a despedida de Hong Kong com a bicicleta desmontada.
O objetivo é conhecer o mundo de bicicleta, mas alguns trechos são feitos de carona, barco, ônibus ou até mesmo avião.
Konstantin usando o Google tradutor durante entrevista para o Lado B. (Foto: Danielle Valentim)Konstantin usando o Google tradutor durante entrevista para o Lado B. (Foto: Danielle Valentim)
“Desembarquei em Santiago, no Chile, e nos últimos 12 meses, conheci o Chile, Peru, Equador, Colombia, mas ao chegar no Panamá fui barrado e tive que voltar. Da Colombia ao Panamá não há passagem em terra, apenas avião ou barco. Escolhi o barco, mas por falta de dinheiro em espécie não pude entrar no país”, conta.
O russo não anda com dinheiro, mas aciona a família em casos de urgências. Barrado no Panamá, Konstantin fez o trajeto de volta e passou novamente pela Colômbia, Equador, Peru e entrou no Brasil pelo Acre, no começo de agosto.
Pedalando entre 80 e 100 km por dia, Konstantin já passou por 15 países, rodou 10 mil quilômetros na América do Sul e outros 30 mil na Ásia.
Todos os pontos visitados por Kostantin na América do Sul. Todos os pontos visitados por Kostantin na América do Sul.
Parada para a foto com as araras.Parada para a foto com as araras.
Antes de partir para a Argentina, o russo passou uma noite na casa do viajante Dimmy Chaar, de 36 anos. Mas para chegar até aqui, a história é mais surpreendente ainda.
Konstantin soube de Dimmy por meio de uma rede de contatos pelo WhatsApp, que não se trata de um grupo, mas de amigos que se ajudam na estrada.
“Um amigo que se chama Beda Motero, foi quem encontrou Konstantin. Beda teve um câncer e desde então decidiu dar a volta no Brasil em uma motocicleta Cripton. Foi ele mesmo quem falou sobre mim para o Konstantin”, conta Dimmy.
Assim que chegou a Rio Verde de MT, no dia 24 de setembro,Konstantin entrou em contato com Dimmy. Ele  Enfrentando muita chuva, passou uma noite em São Gabriel do Oeste e outra em Jaraguari e o trajeto que seria rápido durou dois dias até Campo Grande.
Dimmy e Konstantin na última sexta-feira (27). (Foto: Danielle Valentim)Dimmy e Konstantin na última sexta-feira (27). (Foto: Danielle Valentim)
Quando não consegue hospedagem, Konstantin acha um jeito de armar sua barraca. Para comer, decorou uma frase em português que é infalível: Desculpa, com licença, sou Russo e estou sem dinheiro para comer, tem uma comida, por favor?
Na China, o russo lembra que carregava a frase “sem dinheiro” em Mandarim, no celular.
Konstantin é solteiro, mas tem duas filhas, uma de 20 e outra de cinco anos, que ficaram na Rússia. Indagado sobre voltar, ele é categórico em afirmar que não pretende retornar. “Não quero voltar à Russia por conta do governo atual, eu quero imigrar para a Argentina. Minha família está feliz por eu estar vivo”, pontua.
Sempre que se fala em viagem, as pessoas pensam nas comidas típicas. Konstantin provou o sobá campo-grandense, mas em seu caso o sabor do alimento é o de menos. O único desejo do russo é ingerir energia para o corpo.
“Não penso em comida pelo sabor, mas pela energia que ela proporciona ao corpo de modo geral, nunca me importo com o que é servido. Mas se for falar de prato preferido é batata frita”, pontua.
Por outro lado, os brasileiros são amados por Konstantin. “Os brasileiros são verdadeiros. Eu gosto mais da América do Sul, que da Ásia. Na Ásia eu sou “o estrangeiro”, aqui eu sou o Konstantin”, frisa.
Konstantin provando o sobá. Konstantin provando o sobá.
O anfitrião – Dimmy é bacharel em Direito, licenciado em Filosofia e mestre em Psicologia. Ele também é um aventureiro de estrada, a diferença é que as viagens são feitas de motocicleta. Acostumado a hospedar turistas em casa, ele admite a experiência diferenciada, apesar de rápida.
Como um bom anfitrião, Dimmy levou Konstantin à Feira Central apresentou o sobá - patrimônio cultural imaterial de Campo Grande - e ainda deu uma passadinha na Morada dos Baís, onde estava rolando um som.
“Ele foi o segundo ciclista que recebo em casa. Os primeiros foram dois salvadorenhos, em 2016. Hospedar Konstantin foi massa, ele foi o meu hóspede do lugar mais longe e de maior dificuldade para se comunicar, pois geralmente recebo latinos”, pontua.
Dimmy garante que receber outra cultura em casa, o faz enxergar a realidade do que acontece no mundo. “É sempre uma nova cultura que a gente adquire. A gente fica sabendo da situação política da Rússia, por ser de Humanas e estar ligado ao Direito, à Filosofia, à Psicologia, mas só de perto para ver essa realidade”, finaliza.
Konstantin na rodoviária de Campo Grande com a bike desmontada. (Foto: Danielle Valentim)Konstantin na rodoviária de Campo Grande com a bike desmontada. (Foto: Danielle Valentim)
Destino final - Não há destino final, mas a próxima parada depois da passagem por Campo Grande é a Argentina. Pela terceira vez, a viagem de Konstantin exigiu pressa e a ajuda de um segundo transporte.
Depois do avião de Hong Kong ao Chile e do barco da Colômbia ao Panamá, Konstantin pegou um ônibus, no último dia 27 de setembro, com destino a Foz do Iguaçu, para conseguir chegar a tempo no país argentino. De Foz do Iguaçu, Konstantin atravessa Porto Iguaçu, pedalando ou de carona. Konstantin deve se encontrar com mais dois amigos, um na Argentina e outro no Uruguai.Meu destino final é a morte. Não vou parar enquanto estiver vivo, enquanto eu puder andar”, finalizou.
Campograndenews
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