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domingo, 5 de março de 2017
RIOVERDEMS | Por PORTAL RIOVERDE NOTICIAS

Base brasileira custará US$ 99,6 mi, mas verba de pesquisas é incerta


A temperatura em torno de 1°C não é o maior problema de uma dezena de chineses em macacões cor de abóbora na praia de cascalho da enseada Martel. Eles já transferiram a uma chata os 800 l de óleo combustível cedidos pela base brasileira Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), mas pelejam por quase meia hora para erguer as rampas da embarcação.
A mesma escavadeira que desceu pelas duas pranchas de metal serve para levantá-las, com ajuda de correntes. Alcançada a posição certa, quase vertical, os tripulantes não conseguem desprender da segunda rampa o braço articulado do veículo.
Trabalhadores sobem nas costas uns dos outros para resolver o problema, formando uma minipirâmide humana. Não demonstram preocupação com as águas geladas em volta, nas quais um mergulho não permitiria mais que alguns minutos de sobrevivência.SÃO 22h DO DIA 16 de dezembro de 2016. O dia austral ainda está claro no arquipélago Shetland do Sul, na ponta da península Antártica, onde fica a ilha Rei George. Começa com esse pequeno tropeço a realização do sonho de dotar o Brasil com uma nova e vistosa “embaixada” no gelado território internacional, a mais de 3.000 km do polo Sul.
No costado da chata se leem alguns ideogramas e, no alfabeto ocidental, a sigla Ceiec. Em inglês, corresponde a Corporação Chinesa de Importações e Exportações Eletrônicas, um nome inocente para o conglomerado estatal de defesa fundado em 1980 pelo líder reformador Deng Xiaoping. A Ceiec ganhou em 2015 a licitação internacional para construir a nova base brasileira.
Os operários da empresa tinham desembarcado do cargueiro Yong Sheng, no dia anterior, para começar a construir o equivalente de um palácio no fim do mundo e assim cumprir um contrato de US$ 99,6 milhões (cerca de R$ 314 milhões em três anos) com o governo brasileiro para construir a nova EACF. A dotação para a obra neste ano é 68 vezes maior que o previsto para a pesquisa antártica nacional.
VALORES NO ORÇAMENTO 2017 PARA EACF E PESQUISAR$ 128 milhõesRecursos para reconstrução da EACF em 2017R$ 1,86 milhãoVerba do CNPq para pesquisa antártica em 2017
A realização de “atividade de pesquisa substancial”, vale dizer, estudos em quantidade e qualidade significativas, é uma precondição para qualquer país figurar entre os membros consultivos, com direito a voto, do Tratado Antártico de 1959. Hoje há 29 nações nessa condição e 24 outras na de observadores.
QUANDO FICAR pronta, o que deve ocorrer em março de 2018, a nova base se elevará sobre a bela enseada na baía do Almirantado –mesmo local em que a antiga estação pegou fogo, em 2012– com dois longos blocos de metal conectados. O premiado projeto do escritório curitibano Estúdio 41 foi descrito pela BBC, em janeiro, como “futurista, de arregalar os olhos”.
Operários de estatal chinesa fazem levantamento topográfico na área onde será construída a nova Estacão Antártida Comandante Ferraz (Lalo de Almeida/Folhapress)
O bloco superior, mais curto e mais próximo do imponente morro da Cruz, abrigará camarotes para 64 pessoas –até cinco dezenas de pesquisadores, no verão antártico, e os militares da Marinha que compõem o chamado grupo base e permanecem o ano todo na estação. Nele também ficarão áreas de serviço, como cozinha e refeitório.
A parte de baixo, mais alongada, se reparte em três áreas principais. Na primeira ficarão 14 laboratórios (há outros três módulos externos para pesquisas). No meio, as áreas de convivência, com biblioteca, auditório, sala de videoconferência e local para uso compartilhado de computadores (“lan house”). Na outra ponta estará um grupo dedicado a operação e manutenção, como garagem e paiol.
A julgar pelos esboços do interior da nova base brasileira feitos pelo Estúdio 41, os espaços amplos e iluminados projetarão a EACF a anos-luz de distância das tradicionais estações antárticas. Na primeira metade do século 20, elas não eram muito mais que cabanas de madeira ou de pedra, quase tão rústicas quanto refúgios de caçadores de baleias e focas, os pioneiros da Antártida.Após 34 anos de confinamento em contêineres com poucas e minúsculas janelas, o Programa Antártico Brasileiro passará a hospedar-se no que caberia comparar a um hotel de luxo, tendo em conta que se trata de um dos locais mais inóspitos do planeta. Ninguém em sã consciência construiria nada ali, a não ser que a recompensa fosse muito boa.
APESAR DAS dificuldades iniciais dos operários da Ceiec, sua disciplina e perseverança possibilitarão à estatal chinesa acrescentar um chamativo cartão de visita ao seu portfólio, além dos US$ 99,6 milhões. Protocolares, o gerente Jiao Yang e o consultor Wei Wenliang (um veterano em operações polares), que lideram o grupo, mencionam também àFolhao estreitamento de relações entre Brasil e China, agora no continente antártico.
A potência asiática já construiu quatro estações próprias, a partir de 1985: Grande Muralha (na mesma ilha Rei George), Zhongshan, Kunlun e Taishan. A última, que tem a aparência de um disco voador, foi construída em apenas 45 dias no verão austral 2013–14 –mais um indício de que os chineses poderão, sim, entregar a base brasileira no prazo.
A dificuldade maior de construir na área da península Antártica não é tanto o frio. No verão –única época em que há luz e condições meteorológicas para trabalhar em ambiente externo– as temperaturas não diferem muito de regiões onde também neva e se constroem cidades inteiras, como o norte da Europa.
O pior está na distância de qualquer área civilizada e na janela curta de construção, de novembro a março. Um enorme ônus logístico. Em tal ambiente, não há como improvisar.
“Tudo tem de ser projetado considerando o sistema de transporte disponível [navios]”, esclarece o contra-almirante Flávio Augusto Viana da Rocha. “E nada pode ser ‘esquecido’ ou ‘dar errado’ durante a obra.”
Consequência: as estações precisam ser pré-fabricadas e levadas aos pedaços de navio até o local na Antártida onde serão montadas.
Assim será com a nova EACF. Ela segue a tendência das últimas décadas de construir prédios aerodinâmicos sobre pilares, para permitir que os fortes ventos e as nevascas tenham passagem livre. Sem isso, a neve tende a se acumular em volta, com risco de bloquear a edificação.
“O desafio foi grande, pelo fato de que, em modo geral, nossas técnicas construtivas ainda são rudimentares, quase que artesanais”, conta João Gabriel Moura Rosa Cordeiro, do Estúdio 41.
“O processo de pesquisa de materiais foi intenso. A começar pela envoltória –a pele do edifício–, que, além de resistir aos fortes ventos, tem de enfrentar a alta salinidade e baixa umidade da Antártica.”
Decidiu-se por um painel de uma liga de aço mais resistente à maresia, com duas chapas formando um sanduíche de 22 cm de espessura com recheio de material isolante em poliuretano. A escolha foi feita após consultoria com os especialistas alemães Torsten Hass –que conduziu em 2013 a construção da arrojada estação indiana Bharati– e Stephan Heinlein.
domingo, 5 de março de 2017

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