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quinta-feira, 27 de agosto de 2026
RIOVERDEMS | Por PORTAL RIOVERDE NOTICIAS

Simpósio debate futuro e inovação no mercado de sementes forrageiras

 

Crédito fotos: Valdecir Gomes e Marcelo Guazzi

Especialistas discutiram edição gênica, combate à pirataria e tecnologias para a pecuária durante XXIII CBSementes, em Foz do Iguaçu

O avanço da biotecnologia, as possibilidades abertas pela edição gênica, o uso da inteligência artificial e as transformações no mercado global de sementes estiveram entre os principais temas debatidos nesta terça-feira (25), em Foz do Iguaçu, durante o VI Simpósio Brasileiro de Sementes de Espécies Forrageiras. 


O encontro integrou a programação científica do XXIII Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes), realizado pela Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), e reuniu pesquisadores, produtores e lideranças do setor para discutir as principais inovações tecnológicas e desafios mercadológicos do segmento. 


Ao longo do simpósio, os painéis abordaram temas estratégicos para a pecuária e a agricultura sustentável, incluindo soluções e atualizações para forrageiras temperadas, os impactos da inteligência artificial e da edição gênica, o uso da biotecnologia na produção de sementes tropicais, o manejo de doenças, além de debates profundos sobre fiscalização, legislação e a liderança global do Brasil no mercado de sementes.


O primeiro painel do simpósio concentrou-se nos avanços biotecnológicos e nos avanços regulatórios e de mercado relativos às forrageiras. O chefe-geral da Embrapa Soja e especialista em biotecnologia, Alexandre Nepomuceno, destacou a celeridade e a acessibilidade da tecnologia CRISPR no melhoramento genético vegetal. "Para desligar um gene de soja me custou 15 mil dólares e quatro meses; para fazer exatamente a mesma coisa, eu fiz em uma semana por 500 dólares com CRISPR."


Em sua apresentação, Nepomuceno detalhou como a edição genômica permite modificar rotas metabólicas específicas para aumentar a digestibilidade, otimizar o perfilhamento, retardar a senescência foliar e aumentar a tolerância ao estresse hídrico. Além disso, reforçou que o ambiente regulatório brasileiro, liderado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), tem tratado plantas editadas que não contêm DNA exógeno como convencionais, o que reduz drasticamente os custos e o tempo para disponibilizar novas cultivares no mercado.



Qualidade e avanços nas forrageiras temperadas


Em seguida, o palestrante Daniel Montardo, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, apresentou um panorama sobre a evolução da qualidade das sementes de forrageiras temperadas no Sul do Brasil e o impacto de programas estaduais e normativas recentes. "Entre as declaradas como certificadas, 67% cumpriam a instrução normativa, mas mais de 30% não cumpriam, não conseguiam atender; e entre as sementes não certificadas, só 32% cumpriam a normativa."


O palestrante explicou as ações desenvolvidas pelas subcomissões de sementes e mudas, com destaque para o ajuste de padrões em aveias-brancas forrageiras via Instrução Normativa nº 31, a implementação do Programa de Sementes Forrageiras do Rio Grande do Sul e as estratégias para superar gargalos como a ausência de produtos fitossanitários registrados para culturas menores (minor crops) e os desafios da dormência e sementes duras em leguminosas.


Manejo fitossanitário de doenças em inflorescências


Já, o palestrante Márcio Sanches, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, abordou o impacto e o diagnóstico de doenças fúngicas que afetam a produção de sementes de forrageiras tropicais (Brachiaria e Panicum), como a mela-das-sementes (Claviceps sulcata), o carvão-da-brachiaria (Ustilago operta) e a cárie-do-sino (Tilletia ayresii). 


Sanches apresentou os avanços nas metodologias moleculares de diagnóstico rápido via técnica LAMP (Loop-Mediated Isothermal Amplification), que permite identificar a presença de patógenos ainda na fase vegetativa/emborrachamento ou em lotes de sementes com alta sensibilidade e em menos de uma hora, viabilizando estratégias preventivas de manejo e mitigando perdas diretas na colheita. 


Além do painel de abertura, a programação do simpósio desdobrou-se em debates aprofundados sobre a posição do Brasil no mercado internacional, a segurança jurídica do setor e a nutrição vegetal.


No Painel 2, a palestrante Joyce dos Santos, da Embrapa Sede, discutiu os arranjos negociais público-privados focados no mercado de sementes, demonstrando modelos de parceria que aceleram a inovação. Na sequência, José Roberto da Fonte, da Vivarium Consultoria em Agropecuária Ambiental, abordou o protagonismo brasileiro no mercado de sementes forrageiras tropicais, analisando o processo de consolidação, rupturas tecnológicas e os novos horizontes para a exportação.


Os aspectos de fiscalização e combate à ilegalidade ganharam destaque no painel 3, com a palestra da representante do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Aleshisa Rosa, que detalhou o funcionamento do Programa Monitora e a aplicação de inteligência artificial na identificação do comércio irregular de sementes. Complementando a discussão legal, Renê Parmejiani, da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron), apresentou as ações da Rede Nacional de Fiscalização de Sementes (RNFSem) e o avanço no uso de ferramentas tecnológicas para coibir a pirataria no campo. Por fim, Tiago Catuchi, docente da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), ministrou palestra sobre fertilidade do solo e nutrição mineral de plantas, ressaltando como o manejo nutricional adequado constitui a base para garantir altos índices de vigor, germinação e qualidade na produção de sementes de espécies tropicais.


Ao avaliar os avanços apresentados no evento, a coordenadora do simpósio, Jaqueline Verzignassi, da Embrapa Gado de Corte, ressaltou a maturação tecnológica do segmento e a relevância das redes de cooperação. "A biotecnologia avançou e as ferramentas já mostram potencial de uso aplicado nas forrageiras", afirmou.

Ela destacou o papel da inteligência artificial como aliada no combate ao comércio irregular e defendeu o fortalecimento dos arranjos negociais. "No caso das conexões público-privadas, por exemplo, atualmente uma empresa obtentora não atua sozinha; as parcerias são fundamentais para subsidiar financeiramente a pesquisa, para o marketing da forrageira e o posicionamento da cultivar no mercado", observou Jaqueline, lembrando ainda que essas parcerias frequentemente viabilizam pesquisas complementares essenciais para o setor.

Crédito fotos: Valdecir Gomes e Marcelo Guazzi
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