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quinta-feira, 26 de março de 2020
RIOVERDEMS | Por PORTAL RIOVERDE NOTICIAS

‘Estava com muita raiva’, diz mãe que matou e enterrou filha de 10 anos que denunciou abuso sexual do padrasto


Delegado diz que laudo na criança de 10 anos aponta violência sexual

Emileide Magalhães, de 29 anos, presa em flagrante há 3 dias por matar e enterrar a própria filha, de 10 anos, em Brasilândia, na região leste de Mato Grosso do Sul, disse que somente em juízo vai falar o motivo que a levou a cometer tamanha brutalidade, segundo a polícia. A investigação aponta que a criança estava denunciando abuso sexual por parte do padrasto, quando o crime ocorreu. “Ela disse que falaria somente em juízo, mas, de maneira informal, nós gravamos um vídeo e ela narrou como levou a filha até o local, além de dar detalhes de como enforcou, asfixiou e a colocou no buraco. Questionada sobre o motivo, ela disse somente que “estava com muita raiva” e explicará, em juízo, a motivação. Em 20 anos de polícia, nunca vi alguém agir com essa maldade e frieza. Aliás, espero nunca ver de novo”, afirmou o delegado Thiago Passos, responsável pelas investigações.
Conforme a investigação, enquanto a mãe fazia tratamento para dependência química, a menina já esteve em um abrigo. Ao voltar para o convívio da mãe, ela passou a conviver com os irmãos e o padrasto. Ao todo, a suspeita possui quatro filhos, com idade entre 8 a 13 anos. O mais velho, inclusive, teria ajudado a mãe a cometer o delito, ainda conforme a polícia. Emileide foi transferida para delegacia de Três Lagoas (MS)
“O adolescente foi apreendido em flagrante e nós também pedimos a prisão preventiva do padrasto. Há indícios e materialidade de que, realmente, houve o abuso sexual por parte dele e também não descartamos o fato da possível participação dele na morte da menina. Temos depoimento de uma coleguinha da escola, na qual a vítima teria contado sobre os fatos, além de outros depoimentos e laudos importantes”, explicou Passos.
Outra versão usada pela mãe, é que ela se “automedicava com calmantes”. “Estamos em busca de mais algumas testemunhas e verificando também algumas denúncias anônimas sobre o crime”, ressaltou.
A mulher foi autuada em flagrante por homicídio qualificado pelo motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima, crime praticado para ocultar outro crime; ocultação de cadáver e corrupção de menor. Ela foi encaminhada para o Presídio Feminino de Três Lagoas. Ela já tinha passagens por tráfico de drogas e furto.

Entenda o caso

A mulher de 29 anos está presa desde a noite do último sábado (21), em Brasilândia. Segundo a Polícia Civil, a mãe contou que matou a menina de 10 anos porque ela acusava o padrasto de abuso sexual. O irmão da vítima, de 13 anos, foi apreendido. Ele confessou que ajudou a mãe a matar a irmã e que ela foi enterrada viva. “Ela pedia por socorro dentro do buraco”, disse o menino à polícia.
A polícia soube do caso pela própria mãe. Depois de ir três vezes ao local do crime para constatar se a filha estava morta, a mulher procurou a delegacia de Polícia Civil e disse que a menina havia desaparecido após ter sido deixada por ela em uma praça com o irmão. Horas depois, ligou para a Polícia Militar (PM) e contou que havia matado a criança e queria se entregar.
Os policiais então foram ao encontro da mulher, ela falou sobre o que havia acontecido e levou os militares ao local do crime: um buraco perto do lixão do município. Lá, foi encontrado o cadáver da menina, enterrado de cabeça para baixo.
A Polícia Civil e o Conselho Tutelar foram informados e em conversa com o irmão da vítima, ele confessou que havia ajudado a mãe. Ele tinha arranhões nas pernas, o que fez com que fosse levantada suspeita sobre o envolvimento dele.
O adolescente contou aos policiais que a mãe derrubou a filha no chão e passou a enforcá-la com fio elétrico. Na versão do garoto, a irmã pedia por socorro para que não fosse morta. Em seguida, eles encontraram um buraco no chão e colocaram a vítima ainda viva, enterrando em seguida, ficando apenas os pés para fora.
Conforme a Polícia Civil, o médico legista observou, no exame necroscópico, que a vítima apresentava várias lesões pelo corpo, indicando possível ocorrência de tortura. A causa da morte foi asfixia mecânica por compressão do tórax, compatível com o relato do adolescente.
O garoto revelou ainda que a mãe ficou enfurecida porque a irmã havia dito que estava sendo abusada sexualmente pelo padrasto e prometeu matá-la caso continuasse falando sobre o assunto. Em seguida, ela chamou ambos para sair de carro e parou em uma estrada fora da cidade, onde iniciou as agressões e matou a filha.
A Polícia Civil identificou uma testemunha que relatou que a menina havia mencionado, no final do ano passado, ter sido vítima de abuso por parte do padrasto e que não poderia revelar os professores ou para a polícia por medo de apanhar da mãe. Com G1
quinta-feira, 26 de março de 2020

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