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quarta-feira, 12 de maio de 2021
RIOVERDEMS | Por PORTAL RIOVERDE NOTICIAS

Israel derruba prédio de escritório do Hamas, e grupo islâmico dispara contra Tel Aviv; VÍDEOS

 


Um prédio de 13 andares desabou nesta terça-feira (11), em Gaza, depois de ter sido atingido por um ataque de foguetes disparados por Israel. A torre abriga um escritório usado pela liderança política do Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza e é considerado terrorista por Israel, EUA e União Europeia.

Prédio do Hamas destruído por ataque de Israel

Em um novo dia de confrontos, Israel enviou 80 jatos para bombardear a região e concentrou tanques na fronteira, enquanto, em retaliação, o Hamas disparou ao menos 130 foguetes contra Tel Aviv, segunda maior cidade e capital econômica de Israel. Ato contínuo, Israel suspendeu todos os voos do aeroporto Ben Gurion, e sirenes foram disparadas para alertar a população sobre o perigo de ataques.

A escalada de violência, que já deixou ao menos 30 pessoas mortas —duas em Israel e 28 em Gaza— evoluiu rapidamente da retórica para a prática. Mais cedo nesta terça, o premiê Binyamin Netanyahu havia anunciado que Israel vai intensificar a força e a frequência dos ataques contra a Faixa de Gaza.

“Estamos no meio de uma campanha. O Hamas receberá golpes que não esperava”, disse o premiê, acrescentando que as operações militares exigirão “paciência e um certo sacrifício” da população.

O ministro da Defesa, Benny Gantz, afirmou que o objetivo da operação, apelidada de “Guardião dos Muros”, é “golpear o Hamas com força e fazê-lo se arrepender de sua decisão” de atacar Israel. “Cada bomba tem um endereço”, disse ele, acrescentando que a ofensiva militar não tem prazo determinado para terminar e deve se prolongar pelos próximos dias.

Na segunda (10), o porta-voz das Forças Armadas, Hidai Zilberman, já havia prometido uma operação ampla para que o Hamas pagasse “um preço caro” e sentisse “o longo braço do Exército” de Israel.

A escalada de hostilidades entre Israel e o Hamas foi desencadeada por confrontos que já duram cinco dias entre manifestantes palestinos e forças de segurança israelenses na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, ao menos 28 palestinos morreram, incluindo dez crianças, e 152 ficaram feridos devido ao revide israelense após o Hamas atacar Jerusalém pela primeira vez desde 2014.

Em Israel, as autoridades confirmaram a morte de duas mulheres em ataques com foguetes em Ashkelon, no sul do país. A polícia disse ainda que mais de 30 pessoas ficaram feridas, embora os militares tenham afirmado que suas defesas aéreas estavam interceptando cerca de 90% dos disparos vindos de Gaza.

Na cidade de Beit Hanooun, no norte da Faixa de Gaza, o palestino Abdel-Hamid Hamad disse à agência de notícias Reuters que seu sobrinho Hussein, 11, foi morto na segunda-feira no que os moradores disseram ter sido um ataque aéreo israelense. O menino estava recolhendo lenha quando foi atingido. “Gaza está farta e nada faz diferença agora. Nossos filhos estão sendo mortos. O que devemos fazer?” disse Hamad.

Militantes da Jihad Islâmica, grupo radical também considerado terrorista por Israel, disseram que três de seus membros morreram após serem atingidos por um míssil israelense num prédio residencial em Gaza.

O Hamas informou que, em um dos ataques contra as cidades de Ashkelon e Ashdod, disparou 137 mísseis em cinco minutos. Segundo autoridades de Israel, uma escola foi atingida em Ashkelon, mas não houve vítimas porque as aulas foram canceladas e o prédio estava vazio.

Em depoimento a uma emissora israelense, uma mulher da mesma cidade, que fica ao sul de Tel Aviv, disse que seu apartamento foi atingido por um foguete disparado pelo grupo islâmico. Um ar-condicionado teria caído sobre ela e seu filho, e uma porta, sobre o marido.

Israel contesta os relatos das autoridades de Gaza sobre as vítimas, assumindo a responsabilidade apenas pelas mortes de 15 combatentes do Hamas. As demais mortes, segundo as forças israelenses, teriam sido causadas por falhas nos disparos dos foguetes lançados pelos próprios militantes islâmicos —não é possível confirmar de maneira independente essa afirmação.

O Hamas batizou o ataque a Israel como “a Espada de Jerusalém”, num movimento que reforça a postura do grupo como defensor dos palestinos e marca oposição à ideia da Autoridade Nacional Palestina (ANP) como representante de todos eles. Desde 2007, o Hamas comanda sozinho a Faixa de Gaza, enquanto seu rival Fatah controla a ANP e a Cisjordânia.

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, adiou por tempo indeterminado as eleições legislativas que estavam previstas para este mês. Além de frustrar as expectativas dos palestinos que não vão às urnas há 15 anos, o adiamento foi visto como uma manobra para prejudicar o Hamas, que aparecia com força nas pesquisas de intenção de voto.

Jerusalém, sagrada para judeus, palestinos, cristãos e muçulmanos, vive um estado de tensão desde o início do ramadã, mês mais importante para a tradição religiosa islâmica. No centro dos conflitos, estão a liberdade de culto em alguns pontos da Cidade Antiga —que os palestinos dizem estar sendo tolhida— e uma decisão judicial que prevê o despejo de famílias palestinas de uma área disputada em Jerusalém.

O impasse envolve também a retirada de quatro famílias palestinas do bairro de Sheikh Jarrah que, por decisão do tribunal regional de Jerusalém, devem devolver os terrenos a famílias judias —o local abriga um espaço sagrado para os judeus: a tumba de Simeão, o Justo, sumo sacerdote por volta do ano 300 a.C.

Pela lei de Israel, se judeus provarem que suas famílias viviam em Jerusalém Oriental antes de 1948, eles podem pedir a restituição de seus direitos de propriedade. A regra é contestada pelos palestinos, e o governo de Israel argumenta que eles estão “tratando uma disputa imobiliária entre partes privadas como uma causa nacionalista, para incitar violência”.

Jerusalém está no centro do conflito israelense-palestino. De um lado, Israel reivindica a cidade inteira, incluindo seu setor oriental capturado na guerra de 1967, como sua capital. Os palestinos, do outro, buscam fazer de Jerusalém Oriental a capital de um futuro Estado palestino na Cisjordânia e em Gaza.

No mês passado, a ONG Human Rights Watch (HRW) publicou um relatório em que acusa Israel de cometer crimes de apartheid e perseguição contra árabes e palestinos, o que, no direito internacional, equivale a crimes contra a humanidade.

No documento com mais de 200 páginas, intitulado “Um Limite Ultrapassado: Autoridades Israelenses e os Crimes de Apartheid e Perseguição”, a HRW aponta restrições impostas por Israel à movimentação dos palestinos e a apreensão de terras para a construção de assentamentos judaicos em territórios ocupados desde a guerra de 1967 como exemplos dos crimes cometidos. ​

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