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sexta-feira, 24 de julho de 2020
RIOVERDEMS | Por PORTAL RIOVERDE NOTICIAS

O que está por trás da escalada de tensões da China com potências globais


Em uma plataforma de trem no interior da China, centenas de homens de cabelo raspado, olhos vendados, mãos presas e uniformes azuis sentam em silêncio sob o sol, diante de um número ainda maior de policiais armados.

As imagens feitas por um drone surgiram na internet no ano passado e voltaram a circular neste mês.

Agências de inteligência de governos ocidentais e especialistas em segurança dizem que elas foram feitas na Província de Xinjiang, região onde vivem milhões de chineses muçulmanos da minoria étnica uigur.

Xinjiang é palco de um conflito entre o governo chinês e um movimento separatista dos uigures classificado pelas autoridades chinesas como terrorista.

A China admitiu ter criado centros de "reeducação" na região, onde uigures têm aulas sobre nacionalismo chinês e contra "pensamentos extremistas".

Mas ativistas de direitos humanos dizem que os centros são na verdade prisões, onde mais de 1 milhão de uigures estariam detidos de forma arbitrária, sem julgamento.

Os homens nas imagens de drone seriam parte de mais uma leva de prisioneiros a caminho dos centros. Em entrevista à BBC, o embaixador chinês em Londres, Liu Xiaoming, disse não saber onde tinha sido feito o vídeo, e sugeriu se tratar de uma transferência rotineira de prisioneiros. A crise dos uigures não é apenas um problema doméstico do governo. Recentemente, episódios como esse passaram a agravar tensões internacionais da China com outras potências globais, sobretudo no Ocidente.

Em junho, um relatório feito por um acadêmico alemão sugeriu que o governo da China estaria esterilizando a população uigur, forçando mulheres a usar um dispositivo intrauterino para evitar gravidez.

Após o relatório, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, divulgou uma nota criticando a China e pedindo "o fim imediato destas práticas horríveis" e o apoio de todas as nações para exigir "o fim desses abusos desumanos".

Nesta semana, Pompeo esteve em Londres para discutir com o governo britânico a crise dos uigures e vários outros pontos que envolvem a China - em meio a uma escalada de tensões entre os chineses e o Ocidente.

Aumento da influência

Nas últimas décadas, a emergência da China como potência mundial ampliou os laços políticos e econômicos do país com o resto do mundo.

Mas desde a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos em 2016, que adota uma retórica contrária ao governo de Pequim, houve uma mudança nas relações da China com vários países.

Especialistas dizem que a Casa Branca está subindo o tom de sua campanha contra Pequim - em um momento em que Trump está em campanha pela sua reeleição.

Na quarta-feira, os Estados Unidos ordenaram o fechamento do consulado chinês em Houston, acusando os chineses de roubarem propriedade intelectual. Os chineses criticaram a medida, disseram ter recebido ameaças de morte e nesta sexta-feira (22) ordenaram o fechamento da representação americana em Chengdu, em retaliação.

Desde o começo do ano, China e Estados Unidos já vêm trocando farpas em relação à pandemia do novo coronavírus, que começou com um surto na cidade chinesa de Wuhan.

Em março, o governo americano já acusava Pequim de esconder seus números sobre o coronavírus, insinuando que o governo chinês ocultava o número real de casos e mortes.

Em maio, Trump partiu para o ataque contra a Organização Mundial da Saúde (OMS), que, nas palavras dele, é um "fantoche do regime chinês" por nunca exigir informações confiáveis sobre a pandemia junto aos chineses.

Também em maio, Trump disse a um repórter que tinha informações de que o coronavírus havia sido criado dentro do Instituto de Virologia de Wuhan, um boato que circulava naquela época.

Alguns diziam que o vírus seria uma arma biológica. No mesmo dia, agências americanas de inteligência descartaram a versão dada por Trump, dizendo que o coronavírus surgiu na natureza, e que não foi manufaturado em um laboratório.

O FBI acusou dois hackers chineses de tentar roubar dados de laboratórios americanos que pesquisam vacinas, tratamentos e testes para covid-19. A China rebateu as acusações dizendo que são os chineses - e não os americanos - que estão liderando na frente científica contra o vírus. Nesta semana, os dois hackers foram indiciados nos Estados Unidos.

O presidente chinês, Xi Jinping, sempre rebateu as acusações americanas, dizendo que seu governo age com transparência sobre a covid-19.

Ele também prometeu um pacote de 2 bilhões de dólares para ajudar diversos países ao longo dos próximos dois anos e disse que qualquer vacina que venha a ser criada pela China será compartilhada com o resto do mundo.

A escalada de tensões entre Washington e Pequim coincide com um movimento da China de tentar projetar sua liderança global, e que enfrenta forte resistência por parte do Ocidente, sobretudo dos Estados Unidos e de seus aliados mais próximos.

Essas disputas entre Estados Unidos e China têm repercussões em outros países. Países aliados como o Reino Unido anunciaram sanções e boicotes à China.

No Brasil, políticos e ministros admiradores de Donald Trump, como o deputado Eduardo Bolsonaro e o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, publicaram mensagens críticas sobre a China em relação ao coronavírus, causando desconforto diplomático. Em março, o presidente Jair Bolsonaro chegou a telefonar para o líder chinês, Xi Jinping, para amenizar as tensões.


sexta-feira, 24 de julho de 2020

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