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sexta-feira, 6 de julho de 2018
RIOVERDEMS | Por PORTAL RIOVERDE NOTICIAS

Descobri aos 63 anos que sou filho de um campeão de Fórmula 1 e herdei milhões

O hóspede lhe disse ainda que Fangio, morto em 1995, teria tido um filho e Rubén deveria verificar se não era ele. Aquela conversa ocorreu poucos anos após a morte do piloto, que até hoje é apontado como referência na modalidade.
Fangio venceu cinco vezes o mais importante campeonato mundial de automobilismo, recorde quebrado apenas pelo alemão Michael Schumacher décadas mais tarde. Um ícone do esporte, Fangio considerava o brasileiro Ayrton Senna seu sucessor nas pistas.A vida de Rubén pouco lembrava o glamour do ídolo. Nos anos 1990, ele perdeu o emprego em uma ferrovia e foi trabalhar para a rede hoteleira da costa argentina.
De família simples, ele perguntou à sua mãe, Catalina Basili, se a suspeita do hóspede poderia ser verdadeira. Em um primeiro momento, Catalina negou. Mas, cinco anos mais tarde, quando tinha quase 90 anos e seu marido, que criara Rubén como filho, já morrera, Catalina chamou seu filho e revelou que ele era fruto de um amor proibido.
Catalina e Fangio tiveram um breve romance nos anos 1940, durante um curto período de tempo em que ela esteve separada do marido.
Com a história confirmada pela mãe, Rubén procurou um advogado. Catalina decidiu colaborar: registrou em cartório que Rubén era filho de Fangio e acompanhou boa parte da disputa judicial até morrer, aos 103 anos, em 2012. “Só lamento não ter convivido com ele. Mas, fora isso, só sinto orgulho e emoção”, afirmou Rubén.

A batalha judicial

Desde criança, Rubén desconfiava ter algum laço com Fangio. Ele nasceu e foi criado em Balcarce, também cidade natal do astro automobilístico, na Província de Buenos Aires, e na adolescência chegou a lhe pedir emprego.
“Quando ele entrou aqui no meu escritório e disse que era filho de Fangio, não tive dúvida. Eles são muito parecidos”, disse o advogado Miguel Ángel Pierri, que defendeu Rubén no processo. Rubén já tinha então 63 anos quando foi iniciada uma batalha judicial que terminou há poucos dias, 13 anos mais tarde.A luta nos tribunais teve várias etapas. A primeira incluiu, após idas e vindas, a exumação do corpo do campeão das pistas para os exames de DNA, em 2015. Dois anos depois, com os resultados confirmados, Rubén foi autorizado a mudar seu nome no documento de identidade e passou a se chamar Rubén Juan Fangio. No caminho da investigação, até os tons de voz de Rubén e de seu pai biológico foram analisados por um especialista americano, como contou Pierre. “Também são parecidos”, afirmou.

A última etapa, segundo Rubén e seu advogado, foi a declaração da Justiça de que Rubén era herdeiro de Fangio. A fortuna do ex-campeão mundial é avaliada em mais de US$ 50 milhões, de acordo com os advogados que já iniciaram levantamentos sobre as terras, imóveis e automóveis deixados pelo corredor. Também entrarão na conta os valores obtidos a partir do uso da marca Fangio em diferentes produtos no mercado internacional. A partir da decisão judicial, o filho recém-confirmado deverá ter seu aval para peças publicitárias com o nome do pai.
Rubén descreve o périplo judicial como “uma corrida e uma batalha longas”. Ele, no entanto, não hesitou em embarcar nelas. “Depois que eu soube que era filho do Fangio, nunca mais tive dúvidas (sobre a paternidade)”, afirmou.“Eu fiquei muito emocionado com a decisão da Justiça. Fiquei emocionado por ter minha identidade reconhecida. E por ser filho do piloto que foi cinco vezes campeão mundial de Fórmula 1”, disse ele à BBC News Brasil.
Aos 76 anos, casado, pai de três filhos e avô de sete netos, Rubén, agora aposentado, parece não gostar que lhe chamem de milionário. “Não gosto de falar destes assuntos. Mas o que posso dizer é que tudo o que está acontecendo é importante. Consegui minha identidade e estou feliz porque as coisas estão sendo feitas corretamente, como deveriam ser”, respondeu.
De família simples, Rubén não gosta de comentar a fortuna herdada ‘ GERMAN GARCIA ADRASTI/ CLARÍN

Irmãos aos 70 anos

As fotos atuais de Rubén Fangio mostram como ele se parece com o corredor, conhecido na Argentina também pela vida discreta que levava fora das pistas. Oficialmente, o piloto não teve filhos. Mas exames de DNA confirmaram que outro argentino, Oscar ‘Cacho’ Fangio, quatro anos mais velho que Rubén, também é filho do piloto. ‘Cacho’ foi corredor de automóveis de Fórmula 3, conviveu com o ex-campeão e também era chamado de Fangio nas pistas. Mas só agora também está mudando seu nome nos documentos.
“Fangio e a mãe de Oscar moraram juntos e existem cartas, fotos e vídeos dos dois juntos, por exemplo, nas corridas que o piloto participou na Alemanha e em outros países da Europa”, disse à BBC News Brasil o advogado de Oscar, Oscar Scarcella, que trabalha em Mar del Plata, onde seu cliente mora.Hoje, os dois, Oscar e Rubén, se chamam de irmãos, mesmo tendo se conhecido depois dos 70 anos de idade. Nesta semana, contou Rubén pelo telefone, eles estão percorrendo a Espanha juntos e de lá seguem para a Inglaterra, a convite de pilotos britânicos, fãs de Fangio, para assistir ao torneio de Silverstone, neste domingo. “Estou viajando com meu irmão e estamos felizes. Estamos curtindo”, disse Rubén.
O advogado de Rubén, Pierri, e o advogado de Oscar, Scarcella, afirmam que os dois são, oficialmente, os únicos herdeiros reconhecidos de Fangio.
Fonte: bbc
sexta-feira, 6 de julho de 2018

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